domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Nelson Mandela


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

Nelson Mandela

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

a águia e a raposa

"Nada é pesado para quem tem asas."

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

o que fazemos pelos amigos

Num parque de estacionamento, depois de um longo abraço de despedida:
- Diz-me que sou lindo. Estou a precisar de mimo...
- És liiiindo!

(Um homem, que passava em frente, desmanchou-se a rir. E eu também.)

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

remember

for you, my friend :)

sábado, 30 de Janeiro de 2010

um dia perdi-me em frente ao mar


Um dia perdi-me em frente ao mar. Não sei se foi do azul intenso, ou do sol quente nas cadeiras de lona. Se foi das palavras que fluíam como ondas ou do olhar onde mergulhei sem querer. Um dia perdi-me em frente ao mar. Ao sol. Ao luar. O azul como refúgio. A luz como farol. Perdi-me nos teus olhos, nos teus gestos, nos teus sorrisos. Perdi-me no mimo com que me estragavas, nas mãos com que me seguravas a cara, nos abraços com que me fazias sentir em casa. Perdi-me nas tuas palavras, nas tuas histórias, nos teus sonhos iguais aos meus. Perdi-me nas tuas gargalhadas, nos teus cuidados, na tua voz quente e segura. Um dia perdi-me em frente ao mar. Um dia perdi-me e encontrei-me dentro de ti.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

nunca voltes ao lugar onde já foste feliz


"Regressamos sempre aos velhos lugares aonde amámos a vida. E só então compreendemos que não voltarão jamais todas as coisas que nos foram queridas. O amor é simples, e o tempo devora as coisas simples."

José Eduardo Agualusa


(as imagens são um bocadinho pirosas mas foi o único que encontrei)

Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz

Nunca mais voltes à casa
Onde ardeste de paixão
Só encontrarás erva rasa
Por entre as lajes do chão

Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado

São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez

Por grande a tentação
Que te crie a saudade
Não mates a recordação
Que lembra a felicidade

Nunca voltes ao lugar
Onde o arco-íris se pôs
Só encontrarás a cinza
Que dá na garganta nós

domingo, 24 de Janeiro de 2010

naquela varanda


Estive naquela varanda, sabes? E estava frio como naquele dia. Naquela noite. Mas chovia. E o rio estava ainda mais brilhante, a transbordar de luzes. A ponte ao fundo toda iluminada como naquele dia. Naquela noite. E os teus olhos colados em mim a querer ler-me a alma e eu a querer fugir. E as tuas palavras enredadas nas minhas e o teu silêncio a querer ouvir-me. Fala-me de ti. E ficavas calado, imóvel, à espera. Falas tão pouco de ti. E contaste-me a tua tristeza, a tua dor, o amor que te consome as entranhas e te alimenta a alma, e como deixaste de lutar por ele. Sou um fraco, sabes? Não, não és um fraco, tens é medo, e preferes desistir do amor amando, do que vê-lo morrer devagarinho. Achas que um homem e uma mulher conseguem ser amigos? Acho sim, tenho a certeza. Vamos ser amigos o resto da vida.
Estive naquela varanda, sabes? E estava frio como naquele dia. Naquela noite. E finalmente percebi o que já me tinhas dito. Confio em ti. Confiar no sentido de seres alguém que mesmo longe está tão próximo de mim. Sou tua amiga para o que der e vier. Incondicionalmente. E agora é a minha vez de te pedir o que naquele dia, naquela noite, me pediste a mim: faz-me um favor, não desapareças.

terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

fiz-te um poema, menino triste



Fiz-te um poema, menino triste. Não tem palavras nem pensamentos nem emoções. Não tem flores nem cores nem pássaros a cantar nas árvores. Não tem céu nem mar nem nuvens brancas de algodão. Não tem suspiros nem desejos nem sonhos.
Mas é teu. Para que não deixes de acreditar, de lutar, de ser como és. Para que não desistas de quem és, do que queres, de aonde vais. Para que continues a ir à lua e tragas estrelas que brilham nos teus olhos negros.
Fiz-te um poema, menino triste. Apenas para te fazer sorrir.



sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

feliz 2010

quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

2009


Não vivo do passado nem acho que amanhã é que vai ser. Tento viver intensamente e o melhor possível o presente, consciente que o meu caminho sou eu que o faço, caminhando. Cada vez ligo menos a comemorações globais de grande euforia, só porque um ano acaba e outro começa. Afinal, é apenas mais um dia 1 a seguir a um dia 31. A tendência geral é de balanço, olhar para trás, pensar no que foi e no que poderia ter sido. E depois formular desejos, intenções, pensamentos positivos.
Há anos mais (in)felizes do que outros. Toda a gente tem os seus. A mim, ocorre-me uma resposta do Marquês de Pombal em 1755, após o terramoto de Lisboa, à pergunta "e agora, o que fazer?" de D. José, rei de Portugal à época: "agora, é enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos".

domingo, 27 de Dezembro de 2009

excelente ideia



Descaradamente roubado daqui e daqui.

terça-feira, 22 de Dezembro de 2009


Não ando por aqui há muito tempo, mas o suficiente para perceber que o mundo da blogosfera é muito mais complexo do que à partida possa parecer. Cada um saberá o motivo que o leva a criar e a manter um blogue e o que procura nos que lê e comenta. Existem para todos os gostos. Há quem os divida em categorias, quem lhes atribua prémios, lhes lance desafios, quem se sinta muito ofendido por não ser adicionado na lista dos blogues que segue e quem contabilize a qualidade pela quantidade.
Quando leio um blogue pela primeira vez, se gosto, volto. Como é evidente, se não me identifico com o que por lá se escreve, simplesmente não vou lá. Não ando a escrever comentários negativos, a mandar e-mails a pôr em causa o autor do blogue, nem preciso da blogosfera para conhecer pessoas.
Ao que parece, há quem ainda não tenha entendido que este blogue é meu e que, por isso, publico nele o que bem entender desde que respeite, obviamente, os direitos de autor e não ofenda ou invada a privacidade de ninguém. O que escrevo pode ser resultado da minha (ou outra) experiência de vida, ou apenas fruto da minha imaginação ou até, quem sabe, de alguns resquícios esquizofrénicos (não se preocupem, tenho as psicoterapias todas feitas e nunca me esqueço da medicação). Não pretendo agradar, inspirar simpatias, receber elogios ou prémios, nem pertencer a grupos ou categorias.

Quero aqui manifestar o meu reconhecimento a todas as pessoas que me lêem e sempre me respeitaram, independentemente de concordarem ou não com o que escrevo. Muito obrigada.

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

medo da tristeza


Se há coisa que me irrita solenemente é o fazer-de-conta. Ora agora vamos todos fazer de conta. Faz de conta que estou alegre, faz de conta que sou feliz, faz de conta que não menti, faz de conta que não roubei, que não traí. Faz de conta que tenho muito dinheiro e por isso posso gastar o que me apetecer e depois logo de vê. Faz de conta, pá. Toma lá um anti-depressivozito, fuma um charrito, dá uma snifadela, faz uma viagem, compra uns sapatos novos, engata uns(umas) gajos(as), faz uma lipo.
Tudo menos ficar triste. Triste não. Mais vale ficar zangado, ser agressivo, partir a louça, dizer barbaridades. Quando se está zangado, (quase) tudo é permitido. Triste não. Parece mal.

Porquê tanto medo da tristeza?

domingo, 20 de Dezembro de 2009

eu prometo que não acredito


Diz-me que voltas. Que me tens dentro de ti desde aquele dia. Aquela noite. Diz-me que sim, que te lembras de mim, que sentes a minha falta, que me pões em tudo o que fazes. Diz-me que te sentes vazio desde que me perdeste, que te falta o ar, o sangue nas veias, que nada faz sentido. Diz-me que não te enganaste, que (me) queres, que sofres por não me teres. Diz-me que sabes o que sou e o que quero, que tens a certeza que te trago dentro de mim mesmo antes de ti. Podes mentir-me, enganar-me, brincar com as palavras, usar o teu sarcasmo, podes inventar tudo o que quiseres. Mas diz-me. Só hoje. Eu prometo que não acredito em nada.

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

trago-te comigo


Não sei dizer quando. Não sei explicar como. Não bateste à porta nem pediste para entrar. Não avisaste nem deste sinal de alarme. Não te importaste com o meu deserto, nem tiveste medo de te perder no meu vazio. Não escolheste as palavras, os gestos, as ausências, os (teus) gritos silenciosos. Não sei como (me) foste abrindo janelas em muralhas e portas em muros tão sólidos. Não sei como construíste uma ponte num chão de areia. Não sei como inventaste um brilho novo nos meus olhos e desenhaste sorrisos em mim. Não sei se és um rio que corre para o meu mar, se uma tempestade de areia que me limpa de mim. Não sei quem és dentro dos meus sonhos. Não sei quem és dentro de mim. Sei que te trago comigo.

mal-me-quer


bem-me-quer(es)?

domingo, 13 de Dezembro de 2009

Piaf



Édith Giovanna Gassion, mais conhecida como Édith Piaf, nasceu em Paris em 1915 e morreu em Grasse em Outubro de 1963. Numa tournée em Nova Iorque, em 1948, conhece o pugilista francês Marcel Cerdan, com quem inicia um tórrido romance. Cerdan vivia em Marrocos e morreu num acidente de aviação em 1949 num voo de Paris para Nova Iorque, onde a iria reencontrar. Arrasada pelo sofrimento, Édith Piaf toma fortes doses de morfina. O seu grande sucesso "Mon Dieu", foi cantado por Édith em sua memória. Marcel Cerdan é tido como o grande amor da sua vida.




Mon Dieu! Mon Dieu! Mon Dieu!
Laissez-le-moi
Encore un peu
Mon amoureux!
Un jour, deux jours, huit jours...
Laissez-le-moi
Encore un peu
À moi...

Le temps de s`adorer
De se le dire
Le temps de se fabriquer
Des souvenirs.
Mon Dieu! Oh oui... mon Dieu!
Laissez-le-moi
Remplir un peu
Ma vie...

Mon Dieu! Mon Dieu! Mon Dieu!
Laissez-le-moi
Encore un peu
Mon amoureux
Six mois, trois mois, deux mois...
Laissez-le-moi
Pour seulement
Un mois...

Le temps de commencer
Ou de finir
Le temps d`illuminer
Ou de souffrir
Mon Dieu! Mon Dieu! Mon Dieu!
Même si j`ai tort
Laissez-le-moi
Un peu...
Même si j`ai tort
Laissez-le-moi

Encore...

sábado, 12 de Dezembro de 2009

pessoas que ficam em nós



Há pessoas que nos marcam para sempre. Não por serem as mais bonitas ou as mais simpáticas, as mais perfeitas, as mais engraçadas, com mais piada. Não por serem louras ou morenas, altas ou baixas, gordas ou magras. Não por serem as mais queridas, mais atenciosas, mais honestas, mais verdadeiras, mais transparentes. Não por nos terem amado mais e melhor ou durante mais tempo. Não por serem especiais ou diferentes. Há pessoas que simplesmente nos marcam para sempre. Ficam-nos gravadas a ferro e fogo, na alma, na pele, no cheiro, nos olhos, no toque dos lábios. Ficam no ar que respiramos, na memória que nos trai sem aviso prévio. Há pessoas que são assim - nem sabemos explicar.
Há pessoas que, sem fazerem nada por isso, sem saberem e sem darmos conta, instalam-se cá dentro e ficam em nós.

de um amigo



As minhas amigas são todas assim: metade loucas, metade sãs. Escolho-as não por serem feias ou bonitas, mas sim pela pupila que tem de ter um brilho inquietante e transparente, pela cara lavada e alma exposta. Amigas que sabem rir comigo, que sabem sofrer comigo. Quero amigas sérias para saberem quem sou, pois vendo-as loucas ou santas, novas ou velhas, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão estéril.
Se for...se for para me aquecer que seja o sol. Se for para me enganar...que seja o estômago. Se for para chorar...que seja de alegria. Se for para mentir...que seja na idade. Se for para roubar...que seja um beijo. Se for para ter fome...que seja de sinceridade. Se for para perder...que seja o medo. Se for para ganhar...que seja a amizade. E que seja para sempre.


Obrigada.

the woman's voice

Só existe uma palavra apropriada para descrever Edson Cordeiro - Fenómeno.


Edson Cordeiro é uma daquelas raras pessoas onde um talento maior do que a vida, características especiais como uma voz ímpar, um carisma profundo e uma sensibilidade literalmente à flor da pele se combinam para gerar um artista total.
O único artista brasileiro com uma voz que já foi apontada como a mais alta entre os contratenores da actualidade, foge às amarras dos géneros e oferece um cocktail de ópera, gospel, MPB, jazz e pop nunca apresentado.
A audiência e a crítica adoram-no e os espectáculos normalmente esgotam.
No projecto
The Woman's Voice, Edson Cordeiro dedica as suas capacidades vocais à sua maior inspiração - a voz feminina.
O álbum
The Woman's Voice foi nomeado para os Grammys Latinos para Melhor Álbum Clássico, contendo temas de Edith Piaf, Yma Sumac, Billie Holiday, Shirley Bassey, Madonna ou Amália, por quem o cantor afirma ser apaixonado desde criança.
O espectáculo tem por título
The Woman’s Voice e é uma viagem, acompanhada pelo piano de Broder Kuhne, pelo mundo e pelas vozes das mulheres possibilitada pelo alcance extraordinário de quatro oitavas que lhe confere uma capacidade única.
E por isso a expectativa tem que ser alta, perante os ecos que chegam de uma Europa rendida: “imaginem Freddie Mercury cruzado com Maria Callas com o resultado filtrado pelo espírito livre de Janis Joplin e começarão a aproximar-se do enigma que é Edson Cordeiro.”



Cine-Teatro de Estarreja - Aveiro
Sábado, 12 Dezembro 2009
in Guia da Cidade - Aveiro

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

pele



Fechaste as portas do teu mundo
Na esperança de ele se encontrar
Vais contando o tempo quase ao segundo
Parece não querer passar 
Fazes de conta que está tudo bem
E andas às voltas quando estás a sós
Gritos mudos que só tu entendes
No profundo silêncio
Que é a tua voz
Não precisas de te esconder
Ninguém te vai encontrar
O que está escrito na tua pele
Só tu para o decifrar
Guarda o teu
Traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer, nem sequer percebeu
Passou-lhe a pele por entre as mãos



não queiras saber de mim



Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje eu não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje eu não me recomendo

Amanhã eu sei já passa
Mas agora eu estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim



domingo, 6 de Dezembro de 2009


"Para se amar o abismo é preciso ter asas."

Júlio Verne

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009


el pie de un niño muerto



"O que eu gostava era de poder encher os livros de silêncio (e tender cada vez mais para o silêncio). E que as palavras estivessem carregadas de silêncio de maneira a que o leitor as pudesse encher como entendesse. E as pudesse vestir e pintar e mudar e fazer como entendesse. Como se o livro fosse um jogo que permitisse uma infinidade de mutações de maneira a pessoa poder senti-lo e vivê-lo como seu. Porque é o leitor que é importante, não é o escritor."

António Lobo Antunes

(numa entrevista)

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

o astronauta


Quando me disseste que querias ser astronauta, eu tratei logo de te arranjar um foguetão. Isto dos sonhos é tão importante...
Tinha que ser um foguetão simples (porque tu gostas de coisas simples) e muito bonito, ou seja, esteticamente perfeito (para que pudesses gostar logo dele). Tinha que ser um foguetão que te levasse à (tua) lua e às estrelas, mas que fosse capaz de te trazer de volta.
Depois lembrei-me que afinal tu não precisas de um foguetão. Tu já tens asas que te levam para onde queres, já fazes da vida uma viagem dentro dos teus olhos.

Quando me disseste que querias ser astronauta, eu olhei para os teus olhos negros a brilhar como duas estrelas no firmamento e respondi:
- Mas tu já és.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009


Há pontes que levam muito tempo a construir. São feitas de pedras, até daquelas onde tropeçamos e que vamos apanhando (e guardando) no meio do caminho. São feitas de pequeninas grandes coisas, pequeninos grandes momentos. São feitas de irritaçõezinhas e também de tolerância, de intransigências e de cedências. São feitas de palavras doces, azedas, acutilantes, suaves, apaixonadas, palavras verdadeiras e inventadas, palavras que aproximam e às vezes afastam. São feitas de gestos, de atitudes, de silêncios respeitados e incompreendidos. São feitas de distâncias enormes ou tão curtas que é como se as tivessemos dentro de nós. Há pontes feitas de sorrisos, de olhares encantados, de abraços e de beijos. Há pontes que são feitas de melancolia, tristeza e desilusão. Há outras de sentimentos incondicionais, sólidas, que resistem ao tempo, à dor, à distância. Há pontes que nem damos conta que existem, são feitas de sonhos, de esperas, de cumplicidades implícitas. São feitas de verdade e transparência. São feitas daquilo que somos. Pontes que vamos construindo devagar, pedra sobre pedra, ora questionando a sua resistência, ora perdendo a esperança, ora querendo desistir...
Há pontes que levam uma vida a construir. E segundos a destruir.
E há pontes que não são pontes. São muros.

sábado, 28 de Novembro de 2009

pergunta-lhe



Pergunta-lhe de onde veio, por onde andou, como chegou até aqui (e a ti). O que quer, o que sonha, por onde vive. Para onde vai, o que o move, o que o faz parar. Que palavras são essas que te deixa no chão, como um trilho, com nós e também laços. Pergunta-lhe como te (e se) envolve, como desenha esse sorriso parvo na tua cara, como faz brilhar os teus olhos no escuro, como consegue derreter esse gelo. Onde foi buscar esse mapa da tua alma e do teu corpo, conhecer-te de cor e ser sempre novo, o primeiro, o único. Pergunta-lhe que bússola é essa, como sabe sempre do norte, como deu contigo, como te descobriu e descobre todos os dias como quem levanta um lençol branco. Pergunta-lhe como faz para te desarmar, quebrar as defesas que meticulosamente foste criando com tanta dor. Pergunta-lhe onde vai buscar tanta certeza, tanta força para vencer o medo, tanta perspicácia para te perceber, te querer e te aceitar. Pergunta-lhe porque acredita, porque não desiste, porque insiste que a lua é sempre a mesma em qualquer lugar do planeta.

Pergunta-lhe como faz, onde aprendeu ele tanto sobre ti, como consegue derrubar-te os muros, tirar pedra sobre pedra, calmamente, e construir uma ponte até ti.

Um dia, se o encontrares, pergunta-lhe.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

e hoje



já posso ficar triste, admitir que não sou perfeita, aceitar-me como sou, acreditar que há dias e dias.
E, aconteça o que acontecer, nunca perder esta minha "estranha mania de ter fé na vida".

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

vou passar o dia a rir



muito de mim e da figurinha de otária que às vezes faço.
Pode ser que sirva para aprender alguma coisa.

domingo, 22 de Novembro de 2009

querido pai natal


Nunca te pedi nada e sempre me deste mais do que eu esperava. Tenho muita sorte. Deste-me uma família, amigos, saúde, amor, carinho, conforto, alegria. Não preciso de nada.
Mas este ano enchi-me de coragem e resolvi escrever-te. Escrevo-te por todos os que não o sabem fazer. Ou que não têm papel nem lápis, nem computador. Ou que não acreditam que tu existes. Escrevo-te para te pedir comida para os que têm fome e roupas para os que têm frio. Alívio para os que estão doentes e companhia para os que estão velhos e sozinhos. Escrevo-te para te pedir abraços e beijos para os meninos sem amor, uma cama quentinha, uma mãe que dá colo. Peço-te ternura para os corações empedernidos, solidariedade para os egoístas. Tolerância para os intransigentes, generosidade para os gananciosos.
Por favor, Pai Natal, não abandones os velhinhos em casa, cheios de frio, de fome e de solidão. Não deixes os homens sem casa, sem cama, sem trabalho, sem família. Não deixes os meninos sem mimo, sem colo, sem sorrisos, sem comida e roupa e banho quentinho.
Por favor, Pai Natal, faz com que seja mesmo Natal. Deixa lá as prendas, as luzes, os banquetes... Traz as tuas renas, cobre a terra de magia, acaba com a pobreza, a fome, a guerra.
Por favor, Pai Natal, não me vires as costas!
Logo eu, que nunca te pedi nada.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

tu e o teu violoncelo

para ti.


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

pela boca morre o peixe


Há muitas formas de comunicar - toda a gente sabe. Há quem prefira falar, quem cante e seus males espante, quem fique calado e se limite a ouvir, quem olhe e sorria, quem fale com as mãos e com o corpo, quem abrace e envolva, quem olhe nos olhos e quem desvie o olhar, quem pinte ou desenhe, quem congele a vida em imagens e até quem tenha o dom da escrita. Há momentos para tudo e nenhuma forma de comunicação é melhor ou substitui a outra. Muitas delas complementam-se. Há que saber escolher a melhor forma de comunicar em cada momento, dependendo do que e a quem o queremos transmitir. Não é (nada) fácil. E de vez em quando, metemos os pés pelas mãos, e fazemos tudo ao contrário do que sempre fizemos, contrariando tudo o que seria suposto. Tenho para mim que, às vezes, mais valia estar quietinha e caladinha. Não são os caladinhos que acertam sempre? Livra! Nunca mais aprendo!
Pela boca morre o peixe.

domingo, 15 de Novembro de 2009



As palavras nem sempre se dizem. Podem ser escritas, ou pensadas, ou sentidas, ou apenas silenciadas. O que não significa que não existam. Há muitas formas de as dizer, de as escrever, de as pensar, de as sentir e de as silenciar. Às vezes, precisamos das palavras dos outros para dizer, por outras palavras, o que não conseguimos expressar.

sombras em mim


"Com uma tal falta de gente coexistível,

como há hoje,

que pode um homem de sensibilidade fazer

senão inventar os seus amigos,

ou quando menos,

os seus companheiros de espírito?"

de olhos fechados


"Não escondas, ó homem, teu rosto atrás da aba do teu chapéu. Verte a tua dor em palavras, porque a dor que não se externa grita no íntimo até que o coração desfalece."